Entrevista e texto: Abraão Sena
Naturalidade: Ipojuca – PE // Radicada em Pitimbu – PB
Nascimento: 24 de Agosto de 1973
Atividade artístico-cultural: Artesã (crochê, macramê e amigurumi)
Instagram: @atelie.arteana
Joseane Maria Aguiar da Silva é uma artesã paraibana, cuja trajetória no trabalho manual teve início ainda na infância, influenciada diretamente pelo ambiente familiar. O primeiro contato com o crochê ocorreu ao observar a mãe produzir peças decorativas, como panos e trilhos de mesa, experiência que ela descreve como marcante: “Minha relação com o crochê começou ainda na infância, observando minha mãe trabalhar. Ela fazia paninhos redondos e trilhos de mesa que, na minha visão de criança, eram perfeitos. Com o tempo, fui crescendo e aprimorando os pontos por conta própria”. A partir dessa convivência, passou a desenvolver suas habilidades, “aprimorando os pontos por conta própria” e passando a confeccionar outros itens , como vestimentas e biquínis. Posteriormente, ampliou seu repertório ao conhecer o amigurumi em um workshop, técnica que a encantou pelas “cores, formas e delicadeza das peças”, e ao incorporar o macramê, aprendido por influência de um amigo. A combinação dessas técnicas passou a marcar a identidade de seu trabalho.
Na prática artesanal, Joseane destaca claramente as dificuldades de cada produção, segundo ela: “o crochê é mais versátil e permite criar desde roupas até peças decorativas”, enquanto “o macramê exige mais trabalho manual com nós e tem uma estética mais estrutural”. Já o amigurumi “pede bastante atenção na contagem de pontos, nas formas e nos acabamentos”. Para Joseane, além da execução técnica, o diferencial está na compreensão das necessidades do cliente: “o que realmente faz diferença é entender o que a pessoa busca e como aquela peça vai fazer sentido na vida dela”. Nesse contexto, destaca ainda que o cuidado no atendimento fortalece a marca e constitui a alma do negócio.
Sua produção é diversificada, incluindo roupas, acessórios, luminárias, tapetes e objetos decorativos. “Eu produzo um pouco de tudo”, afirma. O tempo de produção varia conforme a complexidade: “trabalhos mais rápidos, como brincos”, podem ser finalizados em cerca de 30 minutos, enquanto peças intermediárias, como um top ou cropped, levam aproximadamente 1h30. Já itens mais elaborados, como vestidos, podem demandar “em torno de uma semana”, e peças em amigurumi, como bonecas, podem levar cerca de 15 dias, devido ao nível de detalhamento.
Joseane atribui ao artesanato um papel essencial na preservação cultural, afirmando que “não existe cultura sem artesanato, porque ele carrega a história, os costumes e a essência do povo”. Além de seu valor simbólico, destaca sua relevância econômica, sobretudo como alternativa de geração de renda: “muitas pessoas começam a empreender a partir do momento em que aprendem alguma técnica”. Também enfatiza as oficinas de crochê e macramê ministradas em seu ateliê, um momento de acolhimento e troca de saberes, destacando que a prática “proporciona bem-estar, contribui para a saúde mental e transforma a forma como a gente vê o mundo”. Para as alunas, cada peça pronta representa conquista. E para quem ensina, a alegria de compartilhar o que se ama e a conexão que vai além dos fios.
Como orientação aos iniciantes, a artesã recomenda a iniciativa e a perseverança: “comece. Dê o primeiro passo, mesmo que pareça difícil”. Segundo ela, o início pode ser marcado por inseguranças, mas “o importante é não desistir”. Para Joseane, o desenvolvimento ocorre de forma gradual, e com o tempo, tudo vai ficando mais leve, mais natural, até que o artesão “começa a colher bons frutos”.
Fonte:
Entrevista com Joseane Maria Aguiar da Silva cedida a Abraão Sena em abril de 2026.
Fotos: Arquivo pessoal (Joseane da Silva)