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Data de publicação do verbete: 10/10/2025

Klícia de Araújo Campos

Klícia de Araújo Campos

Cordelista, Intérprete e Adaptadora de Cordel em Libras.

Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos

Naturalidade: João Pessoa – PB

Atividade artístico-cultural: Cordelista, Intérprete e Adaptadora de Cordel em Libras

Formação Acadêmica: Graduação em Letras – Língua Portuguesa e Libras pela UFPB (2011 – 2015); Mestrado em Estudos da Tradução pela UFSC (2015 – 2017); Doutorado em Estudos da Tradução pela UFSC (2021 – 2024)

Linguagens artísticas: Literatura de cordel, performance poética, tradução intersemiótica (Libras/Português)

Temas recorrentes: Inclusão social, identidade surda, cultura nordestina, acessibilidade cultural, diversidade linguística

Obras em destaque: Cordéis bilíngues (Português–Libras) apresentados em projetos de extensão e eventos culturais da UFPB; histórias como Kika e a Estrela Encantada

Instituições relacionadas: Universidade Federal da Paraíba (UFPB) — projetos de pesquisa e extensão em literatura de cordel e Libras

Reconhecimentos: Citada em trabalhos acadêmicos sobre cultura surda e literatura popular inclusiva

Linguagem utilizada: Libras e português

Público-alvo: Comunidade surda, estudantes e apreciadores de cultura popular

Klícia de Araújo  Campos é uma cordelista paraibana cuja trajetória artística une tradição, inovação e inclusão. Nascida em João Pessoa, capital da Paraíba, Klícia cresceu cercada pelas histórias do Nordeste, pela oralidade popular e pelos cordéis que permeiam a cultura nordestina. Desde jovem, demonstrou interesse pela literatura e pelo poder da narrativa como forma de transmitir conhecimento, memória e identidade cultural. A singularidade de Klícia reside na sua capacidade de adaptar a literatura de cordel para Libras (Língua Brasileira de Sinais), promovendo acesso a pessoas surdas e ampliando o alcance dessa expressão cultural. Sua obra é marcada por uma linguagem visual poética que respeita a métrica e a oralidade tradicionais do cordel, ao mesmo tempo em que utiliza gestos, expressões faciais e movimentos corporais para traduzir a história em Libras. Klícia é também educadora e pesquisadora. Na Universidade Federal da Paraíba, ela participa de projetos de extensão e pesquisa que exploram a interseção entre cordel e acessibilidade linguística. Seu trabalho acadêmico investiga não apenas a adaptação dos textos, mas também a construção de uma poética própria, capaz de dialogar com públicos diferentes, sem perder a essência da tradição nordestina.

Entre suas obras, destaca-se o cordel Kika e a Estrela Encantada, que combina narrativa fantástica, valores éticos e linguagem acessível. Nesse trabalho, Klícia demonstra a força de personagens femininas, a riqueza cultural do Nordeste e a importância da inclusão de pessoas surdas no universo literário. Suas histórias abordam temas diversos, como solidariedade, justiça, preservação cultural, vida comunitária e enfrentamento de dificuldades. O trabalho de Klícia tem relevância não apenas literária, mas também social. Ao tornar o cordel acessível a pessoas surdas, ela amplia os horizontes da cultura popular, reforçando a ideia de que a arte deve ser inclusiva. Suas apresentações em eventos culturais e escolares combinam literatura, performance e educação, permitindo que o público experimente a poesia de forma interativa e sensorial. Além de seu papel como cordelista, Klícia atua como mediadora cultural, levando o cordel e a Libras para comunidades que normalmente não teriam acesso a essas linguagens. Ela participa de oficinas, palestras e apresentações, sensibilizando alunos, professores e artistas sobre a importância da inclusão e do respeito à diversidade.

O impacto do trabalho de Klícia vai além das apresentações. Ela contribui para pesquisas acadêmicas sobre cordel, acessibilidade e cultura surda, sendo frequentemente citada em dissertações e artigos que estudam a literatura popular adaptada para Libras. Sua produção inspira novos artistas e pesquisadores a refletirem sobre formas de democratizar o acesso à cultura e à educação. Acordando cedo para escrever, planejar apresentações e ensaiar gestos, Klícia demonstra disciplina e paixão pelo que faz. Ela combina elementos tradicionais do cordel, como rimas, estrofes e narrativas populares, com inovações visuais que enriquecem a experiência do público. Essa mescla de tradição e inovação torna sua obra única e contemporânea. Mesmo diante de desafios, como a falta de recursos para publicações comerciais e a necessidade de adaptar materiais didáticos para Libras, Klícia segue produzindo, sempre motivada pela ideia de que todos têm direito à cultura. Sua persistência reforça a importância de valorizar vozes historicamente marginalizadas, sobretudo de mulheres e artistas com deficiência.

A linguagem de Klícia é também pedagógica. Ela ensina crianças e jovens surdos a apreciarem o cordel, compreenderem a métrica, aprenderem vocabulário e se envolverem em narrativas culturais. Suas oficinas contribuem para o fortalecimento da identidade cultural e para a formação de novos leitores e artistas. A importância de Klícia transcende o âmbito acadêmico e artístico. Ela representa uma geração de cordelistas que desafia barreiras sociais, promove inclusão e resgata a tradição oral do Nordeste. Seu trabalho demonstra que o cordel não é apenas literatura popular, mas também instrumento de transformação social e educacional. Ao longo de sua carreira, Klícia vem construindo uma obra que valoriza a diversidade, preserva a memória cultural e amplia o acesso à literatura. Ela mostra que a tradição nordestina pode ser reinventada de maneira inovadora, sem perder suas raízes. Klícia é exemplo de talento, dedicação e compromisso social. Sua obra inspira outros artistas, educadores e pesquisadores a refletirem sobre a cultura, a inclusão e a importância da literatura popular para todos. Com sua linguagem poética e visual, ela transforma a forma como se vê o cordel, tornando-o acessível, moderno e inclusivo.

Em cada cordel que cria, Klícia reafirma sua missão: levar histórias para todos, romper barreiras de comunicação e valorizar a cultura nordestina. Sua trajetória mostra que a arte pode ser agente de inclusão, educação e transformação social. Com criatividade, sensibilidade e coragem, Klícia continua a construir pontes entre mundos diferentes — entre o público ouvinte e o surdo, entre tradição e inovação, entre literatura e educação. Ela mantém viva a literatura de cordel e, ao mesmo tempo, cria novos caminhos para que todos possam apreciá-la. Sua obra é lembrança, ensino e inspiração. Cada apresentação, cada gesto, cada cordel adaptado reforça a ideia de que a cultura não deve excluir ninguém. Klícia se torna, assim, não apenas uma cordelista, mas uma protagonista da inclusão e da valorização da diversidade cultural no Nordeste.

Fontes:

https://saibamais.jor.br/2022/09/professora-paraibana-lanca-primeiro-cordel-sinalizado-com-ilustracoes-de-potiguar/

https://www.ces.org.br/site/Leitor.aspx?id=5252&Encontro-virtual-com-a-cordelista-surda-Klicia-Araujo

https://www.escavador.com/sobre/6906549/klicia-de-araujo-campos

 

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