Entrevista e texto: Abraão Sena
Naturalidade: Goiana – PE / Radicada em Caaporã – PB
Nascimento: 13 de Agosto de 1952
Atividade artístico-cultural: Escritora e cordelista
Instagram: @luciairi
Lúcia Santos de Lima é professora, escritora e cordelista, graduada em Geografia, com atuação voltada à educação e à preservação da memória histórica e cultural do município de Caaporã, Paraíba. Destaca-se como autora do livro A História de Caaporã, obra de referência sobre a trajetória histórica e cultural do município.
Durante sua atuação como professora de Geografia, Lúcia Santos de Lima identificou a escassez de materiais didáticos e registros sistematizados sobre a história local, o que motivou o desenvolvimento de sua pesquisa.
“Sentia muita falta de dados sobre nosso município, tanto para mim como para os alunos”, o que a levou a pesquisar e registrar a história de Caaporã, entendida por ela como “um sonho e também uma necessidade”, afirmou a autora.
O processo de pesquisa enfrentou diversas dificuldades, especialmente relacionadas às limitações tecnológicas e institucionais da época. A autora relata que “a tecnologia não era como hoje” e que havia obstáculos no acesso a documentos, registros fotográficos e apoio oficial, destacando que
“A principal falta de apoio foi dos órgãos públicos, pois a história era do município”.
O livro A História de Caaporã reúne episódios da formação histórica da cidade, aspectos da cultura local, patrimônios antigos e relatos orais. Para a autora, muitos desses elementos foram esquecidos ou destruídos, embora sejam fundamentais para a compreensão da identidade local, pois “é fundamental para que os jovens tomem conhecimento do que tínhamos”.
Além da pesquisa histórica, Lúcia Santos de Lima atua como cordelista, utilizando a literatura de cordel como meio de valorização cultural e instrumento pedagógico. Sobre essa linguagem, afirma que o cordel é uma “ferramenta muito importante na pedagogia do aluno”pois permite aprender “de forma prazerosa, com humor, rimas e temas da realidade”, contribuindo para o desenvolvimento do gosto pela leitura.
A autora também defende maior valorização da história local no contexto escolar, apontando que muitos estudantes ainda possuem pouco conhecimento sobre o passado do município e que esse conteúdo precisa ser mais explorado e fortalecido no currículo.
Para Lúcia, a cultura é elemento essencial da identidade social. Conforme afirma, “cultura é vida, e não podemos deixar ficar esquecida”. Seu trabalho busca garantir que a memória de Caaporã seja preservada e transmitida às futuras gerações, para que a história local “não fique no esquecimento”.
Ao final da entrevista, a autora deixa uma mensagem recorrente em sua trajetória: “Estudem! Pois é através da educação que você abre portas, portinhas e portão. Esta é a chave perfeita.”
Fonte:
Entrevista com Lúcia Santos de Lima concedida a Abraão Sena em dezembro de 2025.