Entrevista e texto: Larissa Macedo
Naturalidade: João Pessoa – PB
Nascimento: 10 de setembro de 1994
Atividade artístico-cultural: artesanato, fotografia, grafitti, escrita e produção cultural
Instagram: @neskau.arte
Natural de João Pessoa, Neskau dos Santos é multiartista periférico e itinerante. Atua como artesão, fotógrafo, grafiteiro, escritor e produtor cultural. Mantém seu ateliê no bairro de Mangabeira, onde reside, mas já desenvolveu trabalhos e projetos em 18 estados do país.
Sua trajetória começou em 2008, na favela do Laranjeiras, onde cresceu. Teve o primeiro contato com o hip hop através do rap, depois passou a treinar breaking e a fazer parte do cenário cultural da cidade, participando de competições, eventos e produções culturais. Foi dentro do hip hop que conheceu artistas do graffiti, mas foi na vivência da rua que conheceu primeiro o pixo. Anos depois veio o contato direto com o graffiti.
A fotografia veio da vontade de registrar momentos e vivências da época. Começou sem pretensão, mas com o tempo se tornou visceral. Hoje seu trabalho busca dar visibilidade à população que mora e trabalha na rua, e se tornou um grito de luta para mostrar que essas pessoas não são invisíveis.
A rua é a principal base de todas as linguagens que desenvolve. É espaço de encontro entre culturas populares e hip-hop, de troca, criação e resistência. Na fotografia, se identifica como fotógrafo de rua. Sem a rua, sua produção não existiria.
Suas principais referências vêm da cultura nordestina: coco de embolada, cantadores de viola, Zé Ramalho, repentistas. Também Mestre Vitalino, Cícero Dias, Chico da Silva, Carybé, Ariano Suassuna, xilogravura e arte naïf.
Seu trabalho é majoritariamente autodidata. Participou de oficinas no Centro da Juventude e no Centro Interativo de Circo (CIC). Na dança, integrou a primeira turma de licenciatura em dança da UFPB, mas não concluiu o curso por precisar conciliar trabalho e estudo. Seguiu desenvolvendo sua arte de forma independente, inclusive vendendo na rua.
No Rio Grande do Norte, passou cerca de oito meses registrando o cotidiano de uma comunidade pesqueira e indígena no litoral sul. Em 2025, retornou ao local para realizar sua primeira exposição fotográfica. No graffiti, Recife foi um lugar significativo: já era uma referência e depois teve a oportunidade de pintar lá.
Participou de festivais como artesão, breaker e fotógrafo, e atuou como curador dentro do coletivo do qual faz parte. Tem premiações no breaking, mas nunca foi contemplado em editais de fotografia ou graffiti, o que evidencia a desigualdade no acesso a recursos na Paraíba.
O principal desafio é a falta de incentivo e a necessidade de conciliar arte com trabalho. Grande parte de sua renda vem do artesanato.
Sonha em viver unicamente da sua arte, com dignidade e estabilidade. Acredita que a periferia tem que estar onde deseja estar. Quer dar visibilidade a outros artistas e populações invisibilizadas.
Fonte:
Entrevista com Wemerson dos Santos (Neskau), realizada por Larissa Macedo em maio de 2026.