Entrevista e texto: Sara Fortunato
Naturalidade: Sítio Bom Jesus, Zona Rural de Manaíra-PB
Nascimento: 14 de dezembro de 1964
Atividades artístico-culturais: Poeta e cordelista
Instagram: @nildamariacordeiro
Facebook: Nilda Cordeiro
Nilda Maria Cordeiro Lopes é poeta, cordelista e pedagoga, natural do Sítio Bom Jesus, zona rural do município de Manaíra, no sertão da Paraíba, onde nasceu em 14 de dezembro de 1964. Filha de agricultores, cresceu entre os valores da vida simples no campo, que se tornaram raízes profundas de sua identidade e inspiração para a poesia que viria a florescer anos mais tarde. Hoje, vive em Princesa Isabel – PB, cidade onde construiu sua vida familiar, é mãe de duas filhas e avó de dois netos.
Desde a adolescência, ainda nos anos 1980, Nilda já cultivava um olhar sensível para as palavras. A literatura lhe chegou como um chamado, e a poesia como uma forma de dar voz ao sertão que a moldou. Ao mesmo tempo em que se dedicava aos estudos, formou-se em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú e concluiu uma pós-graduação em Gestão Escolar pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), conciliando a vida acadêmica com a paixão pela palavra rimada.
Foram quase três décadas de atuação como professora do ensino fundamental, onde também exerceu funções de gestão escolar. Sua prática sempre esteve pautada no incentivo à leitura, na valorização da cultura popular e no entendimento da educação como um ato transformador. Mas, paralelamente à sala de aula, seguiu firme sua trajetória como poetisa e cordelista, dando corpo e voz à tradição da poesia popular.
Sua produção literária soma cordéis, poemas e sonetos publicados em coletâneas nacionais e concursos literários, além de obras independentes distribuídas em escolas. Projetos como Moleca semente de mulher (2021) e sua participação em antologias como a da Editora La Vita e do IFPB revelam uma escritora que honra a tradição do cordel, mas também dialoga com o contemporâneo. Sua voz já atravessou livros, palcos e até o rádio, como no projeto itinerante De Carona na Poesia, veiculado pela Rádio Chica Barrosa.
Como membro da Academia Princesense de Letras e Artes (APLA), Nilda mantém presença ativa em saraus, projetos e grupos literários, a exemplo do Ciranda das Auroras e do Grêmio Literário Joaquim Inojosa. Seu engajamento lhe rendeu homenagens importantes: em 2019, teve seu nome dado à biblioteca da Escola Estadual Iracema Marques de Lima, e em 2025 recebeu o Troféu Sertão Mulher, reconhecimento da APLA pela sua contribuição cultural e artística.
Entre livros, oficinas e eventos culturais, Nilda segue multiplicando a força da palavra poética. Atualmente, prepara o lançamento de um livro de poesias e se dedica a um projeto de oficinas de cordel voltadas a estudantes do ensino público, fortalecendo sua missão de transformar versos em pontes entre tradição e futuro.
Mais do que educadora e escritora, Nilda se reconhece como uma defensora da cultura que brota da terra, uma artista que carrega no peito o sertão em versos, fazendo da poesia não apenas um ofício, mas uma forma de existir.
Fonte: entrevista concedida a Sara Fortunato em 16 de setembro de 2025