Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Documentário biográfico
Duração: 80 min
Local: Paraíba e Rio de Janeiro
Ano de Publicação: 2006
Direção e Roteiro: Vladimir Carvalho
Sinopse
O Engenho de Zé Lins ou a Volta à Terra Paraibana é um documentário que apresenta a trajetória do escritor paraibano José Lins do Rego, acompanhando sua vida desde a infância nos engenhos de açúcar da Paraíba até sua consagração como um dos principais nomes da literatura brasileira. O filme relaciona episódios da vida do escritor às obras que compõem o chamado ciclo da cana-de-açúcar, especialmente Menino de Engenho, destacando a influência das experiências vividas na infância sobre sua produção literária.
A narrativa é construída a partir de entrevistas com familiares, amigos, escritores, pesquisadores e intelectuais, além da utilização de fotografias, documentos, imagens de arquivo, trechos das obras de José Lins do Rego e do único registro sonoro conhecido de sua voz. Esses diferentes materiais permitiram reconstruir aspectos de sua trajetória pessoal e profissional, apresentando também seu envolvimento com a vida cultural brasileira, sua relação com o Nordeste e sua contribuição para a construção de uma estética que influenciou o cinema nacional.
Construção da narrativa e prêmios
O documentário surgiu da relação pessoal de Vladimir Carvalho com o universo de José Lins do Rego. Em depoimento, o diretor afirma que o filme representa um retorno às suas próprias origens, já que sua infância também esteve ligada aos engenhos paraibanos e às histórias sobre o escritor, contadas por seu pai. “Com esse filme, eu me vejo em Itabaiana ouvindo as histórias de meu pai. Ele estudou na mesma escola que Zé Lins. Então Zé Lins está comigo desde a infância e o que estou fazendo é uma volta à terra e às minhas origens. Eu nasci perto da cidade natal de Zé Lins, Pilar, no interior da Paraíba. Meu pai era um adorável mentiroso, que estudou com Zé em um ateneu e contava histórias dele como se fossem suas. É um filme que me acompanha desde então”, disse Vladimir ao comentar o projeto.
O próprio título do filme possui um significado simbólico. Segundo Vladimir Carvalho, a denominação da obra faz referência tanto ao engenho como espaço físico e afetivo da infância de José Lins do Rego quanto ao engenho como capacidade de criação e invenção artística. “O engenho é a capacidade de criar, é inventivo. O engenho é um jogo e o Zé Lins. Melhor explicando: ‘O Engenho de Zé Lins’ é o lugar onde nasceu o avô dele, que tinha nove engenhos. O engenho é intrínseco na obra de Zé Lins, são seis romances escritos por ele baseado no engenho. O nome engenho eu também tirei do espanhol ingenio, a sonoridade me chama a atenção, eu gosto dessa coisa inventiva do engenho e a arte”.
Além de recuperar a trajetória do escritor, o documentário procura revelar aspectos de sua personalidade, apresentando-o como um homem próximo dos amigos, atento às pessoas comuns e profundamente ligado às tradições populares nordestinas. Em vez de construir uma narrativa exclusivamente biográfica, o filme reúne lembranças, depoimentos e documentos que ajudam a compreender a permanência da obra de José Lins do Rego na cultura brasileira.
Exibido em importantes festivais nacionais, O Engenho de Zé Lins ou a Volta à Terra Paraibana recebeu o Prêmio Especial do Júri, o prêmio de Melhor Montagem de Longa-Metragem e o Prêmio da Câmara Legislativa do Distrito Federal no Festival de Brasília (2006). Também integrou a programação do Festival de Cinema de Tiradentes (2007), do CINEPORT (2007) e da mostra Première Brasil, no Festival do Rio (2007).
Fontes:
https://canalcurta.tv.br/filme/?name=o_engenho_de_ze_lins
https://www.urcafilmes.com.br/dc-engenho-de-ze-lins
https://documentariobrasileiro.com.br/catalogo/filme/codigo/4055
LEAL, Wills. Cinema na Paraíba/Cinema da Paraíba: segundo volume. João Pessoa: Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho/Gráfica Santa Marta, 2007.
Foto: Reprodução/LEAL, Wills. Cinema na Paraíba/Cinema da Paraíba: segundo volume. João Pessoa: Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho/Gráfica Santa Marta, 2007.