Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos
Naturalidade: Picuí-PB
Nascimento: 6 de janeiro de 1965
Atividade artístico-cultural: escultor e artista plástico
Principais locais de exposição: Centro Cultural Ariano Suassuna – TCE-PB
Facebook: Osmar Macedo
Instagram: @osmar_macer
Osmar Gonçalves de Macedo nasceu na cidade de Picuí, no interior da Paraíba, uma região rica em tradições culturais e de forte identidade sertaneja. Desde muito cedo, Osmar demonstrou talento para as artes manuais. Na infância, brincava com cera de abelha, transformando pequenos pedaços em figuras que encantavam a família. A infância humilde não impediu que Osmar desenvolvesse suas habilidades. Ao contrário, a simplicidade o aproximou da matéria-prima natural que ele viria a dominar mais tarde: a madeira. Ainda jovem, começou a trabalhar com cedro e umburana, madeiras típicas do semiárido paraibano, fáceis de talhar, mas que exigem técnica para alcançar formas detalhadas. Na adolescência, Osmar buscava referências nos mestres artesãos de sua cidade. Ele se aproximava dos mais velhos para observar suas mãos habilidosas transformando troncos brutos em arte.
Ao longo dos anos, Osmar passou a dedicar-se exclusivamente à escultura, abandonando outros trabalhos braçais para investir na sua arte. Sua mudança para João Pessoa, em 1984, marcou uma nova fase em sua trajetória. Na capital, ele encontrou público, incentivo institucional e novas oportunidades de mostrar seu trabalho. Instalou seu ateliê no bairro Castelo Branco, onde mantém até hoje um espaço simples, mas repleto de peças esculpidas em madeira. Osmar nunca teve formação acadêmica em artes. É um artista essencialmente autodidata, que desenvolveu suas técnicas por observação, prática e muita experimentação. Seu processo criativo é intuitivo. Muitas vezes, ele deixa que o formato natural da madeira indique o que será esculpido. Entre as temáticas mais comuns de suas obras estão figuras humanas, animais da caatinga e santos populares, sempre com traços rústicos e detalhamento minucioso. As esculturas de Osmar se destacam por uma rusticidade elegante: as marcas da ferramenta permanecem visíveis, valorizando o trabalho artesanal. O sertão, com suas paisagens de caatinga e suas figuras lendárias, sempre serviu de inspiração para o artista. Boa parte de suas esculturas retrata cenas do cotidiano nordestino.
Além de esculturas isoladas, ele também realiza conjuntos cênicos, compondo pequenos cenários esculpidos em uma única tora de madeira. Sua primeira grande exposição aconteceu em João Pessoa, em uma mostra coletiva organizada por artistas locais. O reconhecimento veio rápido. Com o tempo, Osmar foi convidado para participar de exposições institucionais, como as realizadas pelo Centro Cultural Ariano Suassuna, ligado ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. Em abril de 2022, uma de suas exposições individuais ficou em cartaz no Centro Cultural por mais de um mês, atraindo visitantes de toda a cidade. O público costuma se encantar com a delicadeza e a força de suas obras. Muitos colecionadores paraibanos já possuem peças assinadas por Osmar. Apesar de ter conquistado certa notoriedade, Osmar mantém hábitos simples. Prefere trabalhar sozinho, rodeado apenas pelo cheiro da madeira e o som das ferramentas.
Para ele, cada escultura carrega uma parte de sua história e de sua terra natal. Picuí está presente na memória de cada entalhe. Sua vida é marcada por uma relação profunda com a natureza, respeitando os ciclos de coleta de madeira e reutilizando sobras de troncos descartados. Osmar defende a valorização dos mestres artesãos nordestinos, muitas vezes invisibilizados diante da produção cultural mais midiática. Sua trajetória inspira novos artesãos e prova que a arte pode florescer onde há mãos, coração e raízes fincadas na cultura local.
Fontes: