O maior conteúdo digital de cultura regional do Brasil
Registro das artes e culturas da Paraíba
4.466 Registros
O maior conteúdo digital de cultura regional do país
Registro das artes e culturas da Paraíba
4.466 Registros
Data de publicação do verbete: 15/09/2025

Pérola Padilha

Pérola Padilha

Multiartista.

Entrevista e texto: Sara Fortunato

Naturalidade: Santa Rita-PB

Nascimento: 25 de março de 1977

Atividade artísticos-cultural: Multiartista

Instagram: @prolm

Pérola Padilha é uma multiartista, professora e ativista cultural. Natural de Santa Rita, na Paraíba, e residente em João Pessoa, ela tem dedicado sua vida a criar, ensinar e lutar por um mundo mais inclusivo e diverso. Desde muito jovem, Pérola se envolveu com as artes, iniciando sua trajetória ainda na 4ª série do ensino fundamental, com as primeiras participações em gincanas culturais e outras atividades artísticas. O que começou como uma simples curiosidade, logo se transformou em uma carreira consolidada, marcada por sua paixão por diversas formas de expressão, como a dança, o teatro e o circo.

Multiartista, Pérola é graduanda em Dança, com especializações em Balé Clássico, Dança Contemporânea, Dança Afro, Danças Populares, Jazz Funk, Técnicas Somáticas, Improviso, Teatro, Circo, Ginástica Artística e FitDance. Sua formação técnica e acadêmica é complementada pela experiência prática, tendo atuado em diversos projetos artísticos e culturais ao longo da carreira. Entre os prêmios conquistados, destacam-se o título de melhor bailarina por dois anos consecutivos em Santa Rita, o primeiro lugar no evento Apenas Dance, organizado pelo Mangabeira Shopping, e o prêmio de melhor coreografia junina no Raio do Sol. Além disso, Pérola foi contemplada em importantes editais como o Aldir Blanc, Paulo Gustavo e Mulheres Circenses do Nordeste.

Ao longo de sua carreira também se destacou como coreógrafa e diretora artística, com passagens por eventos de grande repercussão, como o Festival Marshmallow em São Paulo, onde teve a oportunidade de abrir shows de artistas como Glória Groove, Lexa, Pocahontas, Danny Bond, entre outros. Ela também foi convidada a substituir o coreógrafo Flávio Verne, de Luísa Sonza, e a lecionar para o Programa PIBID, no qual atuou como professora de Artes na Escola Dom Helder Câmara, em João Pessoa. Sua presença na Universidade Federal da Paraíba, como monitora na disciplina Experiências Sonoras Criativas, reflete seu compromisso com a educação e a formação de novos artistas.

Além de sua carreira individual, Pérola é fundadora e diretora artística do coletivo circense Fora do Eixo, um projeto que vai além da simples apresentação artística, buscando transformar o circo em um espaço de afirmação política e cultural. O coletivo se utiliza da arte para romper barreiras, criando narrativas que se conectam diretamente com questões sociais e identitárias, particularmente com a comunidade LGBTQIA+ e, mais especificamente, com as pessoas trans.

Pérola também tem se dedicado à produção de novos projetos, como o espetáculo La Fuego e a performance Naquela Mesa, além de coreografar e dirigir o novo álbum da Bixarte e do Lau Capym. Esses projetos refletem sua contínua busca por inovação e pela construção de espaços para outras narrativas, outras formas de ver e fazer arte.

Como uma mulher trans da periferia, a trajetória artística de Pérola é mais do que uma busca por reconhecimento. Ela é uma jornada de resistência e afirmação, onde cada passo dado é uma vitória sobre o silêncio e a invisibilidade que historicamente marcam a vida de pessoas trans no Brasil. Para Pérola, ser artista é não apenas criar, mas também ocupar espaços que nos foram negados, seja no palco, seja na sala de aula. Cada aula que ministra, cada performance que realiza, é uma forma de mostrar ao mundo que corpos trans existem e têm poder, e que a arte é um território de transformação.

Em um país que, por 14 anos consecutivos, lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, Pérola utiliza sua arte como uma forma de resistência, mas também de esperança. Sua missão vai além de questionar as estatísticas de violência: é sobre criar alternativas, abrir portas e mostrar que existem outras formas de viver e de se expressar. Para ela, ser trans é potência, e a sua arte é o reflexo dessa potência — uma arte que, mais do que nunca, precisa ser vista, ouvida e reconhecida.

Fonte: entrevista concedida a Sara Fortunato em 12 de setembro de 2025

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *