Pesquisa e texto: Allan Lima
Localização: Praia da Penha, João Pessoa – PB
As Piscinas Naturais da Penha, localizadas na zona sul do município de João Pessoa, integram o precioso conjunto de ecossistemas recifais da costa paraibana. Formadas por barreiras de corais e arenito, essas bacias naturais emergem no mar durante os períodos de maré baixa, revelando um cenário de águas mornas, cristalinas e de rica biodiversidade marinha.
Diferente de formações recifais vizinhas com vocação puramente comercial, o conjunto da Penha guarda uma forte conexão sociocultural com a comunidade pesqueira local e com o histórico bairro de mesmo nome — famoso por abrigar o tradicional Santuário de Nossa Senhora da Penha. O acesso às piscinas é feito por meio de pequenas embarcações e catamarãs que partem da orla, promovendo uma vivência que une o ecoturismo, a contemplação ambiental e a valorização da cultura praiana local.
A região carrega séculos de história vinculados à pesca artesanal e à devoção religiosa. O fluxo para as piscinas naturais desenvolveu-se em sintonia com a identidade da comunidade marítima local, onde pescadores tradicionais também atuam como condutores ecológicos. Essa vivência costuma ser acompanhada pelo consumo da culinária típica do litoral paraibano nos quiosques da praia, com destaque para os pratos à base de frutos do mar e peixe frito.
Entre os principais atrativos do roteiro, a transparência da água proporciona visibilidade ideal para o mergulho de contemplação e a prática de snorkeling, permitindo a observação direta de peixes tropicais, moluscos e formações coralíneas. A experiência é um exemplo prático de turismo de base comunitária, já que o passeio valoriza o trabalho de marinheiros e guias da própria Praia da Penha, incentivando a economia sustentável do bairro. Além disso, a forte proximidade cultural permite que a visitação seja facilmente integrada ao roteiro histórico da Capela de Nossa Senhora da Penha, erguida no século XVIII.
Por se tratar de um ecossistema frágil e sujeito à pressão antrópica, o turismo no local exige foco na sustentabilidade e na preservação. A visitação segue rigorosamente as orientações da tábua de marés e normas ambientais severas, sendo expressamente proibido pisar nas colônias de corais, alimentar a fauna marinha ou descartar resíduos na área de preservação.
Fontes:
https://sudema.pb.gov.br/institucional/copam-1/legislacao-pertinente
https://www.marinha.mil.br/chm/dados-do-ensino-maritime-tabua-de-mares
Fotos: Claudete Bernardo