Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Teatro – Drama histórico (85 minutos)
Ano de produção: 2008
Cidade/Estado: Paraíba
Texto e direção: Márcio Marciano
Atuação: Adriano Cabral, Lara Torrezan, Paula Coelho, Ricardo Canella, Suellen Brito, Vítor Blam e Zezita Matos
Pesquisa: Coletivo Alfenim
Direção de arte e figurinos: Vilmara Georgina
Direção musical: Mayra Ferreira e Nuriey Castro
Composições musicais: Marco França e Coletivo Alfenim
Cenário e iluminação: Márcio Marciano
Projeto gráfico: Marcello Tostes
Produção executiva: Gabriela Arruda
Realização: Coletivo Alfenim
Sinopse:
Ambientado no sertão paraibano do século XIX, o espetáculo Quebra-Quilos acompanha a trajetória de uma mãe e sua filha que, após serem expulsas do campo, buscam abrigo em uma pequena vila. O local vive um clima de tensão diante dos rumores sobre a chegada dos chamados “quebra-quilos”, grupos revoltosos que se opõem à implantação do sistema métrico decimal e às mudanças impostas pelo governo imperial.
Nesse contexto, as duas personagens se veem envolvidas em um cenário de conflito social crescente, tornando-se testemunhas e também vítimas da repressão violenta das autoridades contra a população sertaneja.
A obra utiliza esse episódio histórico, ligado à Revolta do Quebra-Quilos, como ponto de partida para discutir questões que permanecem atuais. Entre elas, destacam-se a insatisfação popular diante da carga tributária, a manipulação da população por diferentes esferas de poder (políticas, religiosas e econômicas) e a criminalização dos grupos marginalizados.
Ao articular passado e presente, o espetáculo propõe uma reflexão sobre as tensões sociais e as estruturas de poder que continuam a impactar a realidade brasileira.
O espetáculo foi apresentado em eventos teatrais ao redor do Brasil, como o Festival do Teatro Nacional do Recife, na capital Pernambucana, a Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, em São Paulo (SP) e três apresentações na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (RJ).
Contexto e história
O que foi a Revolta do Quebra-Quilos?
A Revolta do Quebra-Quilos teve início em 1874, na Campina Grande, quando centenas de pessoas invadiram a feira da cidade em protesto contra a implantação do sistema métrico decimal. Revoltados com a obrigatoriedade dos novos pesos e medidas, os manifestantes quebravam os padrões de quilo utilizados pelos comerciantes e avançavam contra prédios públicos, destruindo registros e símbolos da administração imperial.
O movimento rapidamente se espalhou por outras regiões do Nordeste, alcançando estados como Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte. Mais do que uma simples rejeição às novas medidas, a revolta refletia o descontentamento popular diante do aumento de impostos, da crise econômica e das mudanças impostas sem diálogo com a população, especialmente no meio rural.
Nesse contexto, agricultores, criadores e pequenos comerciantes aderiram ao movimento, que também ganhou força por meio da tradição oral e dos folhetos populares. Para muitos, tratava-se de defender costumes e formas de vida ameaçadas por um processo de modernização percebido como injusto e autoritário.
A resposta do governo imperial foi marcada por forte repressão. Tropas foram enviadas para conter os revoltosos, resultando em prisões, perseguições e episódios de violência. Mesmo diante da resistência popular, o sistema métrico acabou sendo implantado, consolidando uma mudança que deixou marcas profundas na história social da região.
Fontes:
https://coletivoalfenim.com.br/espetaculos/quebra-quilos/
https://vejasp.abril.com.br/atracao/quebra-quilos/
https://www.guiadasemana.com.br/rio-de-janeiro/arte/evento/quebra-quilos-caixa-cultural-18-05-2009
https://jornaldaparaiba.com.br/cultura/revolta-remontada