Entrevista e texto: Sara Fortunato
Naturalidade: Princesa Isabel – PB
Nascimento: 2 de novembro de 1969
Atividades artístico-culturais: Poeta e cordelista
Facebook: Rena Bezerra (Poeta)
Instagram: @poeta_rena.bezerra
Rena Bezerra é poeta e cordelista, natural de Princesa Isabel (PB) e residente em São José de Princesa (PB). Nascido em 2 de novembro de 1969, é graduado em Licenciatura Plena em Biologia pela AESA, de Arcoverde (PE), e pós-graduado em Gestão Ambiental de Municípios pelo IFPB – campus Princesa Isabel. Ainda que sua formação acadêmica seja na área das ciências, foi na arte e na palavra rimada que encontrou sua verdadeira vocação.
Sua trajetória poética teve início em julho de 1986, quando, ainda jovem, começou a declamar versos em eventos escolares. Desde então, construiu uma carreira marcada por premiações, participações em festivais e uma presença constante em projetos culturais por todo o Nordeste.
Rena conquistou diversos prêmios em festivais de poesia, destacando-se especialmente no Festival Vamos Fazer Poesia, realizado em Serra Talhada (PE) — o maior festival de poesia de bancada do mundo —, onde obteve colocações expressivas, incluindo um honroso 4º lugar entre mais de 90 participantes. Também marcou presença em eventos nas cidades de Dom Inocêncio (PI), Limoeiro do Norte (CE), São José do Belmonte (PE) e em várias ações culturais na região de Princesa Isabel (PB), tornando-se uma voz reconhecida na poesia popular sertaneja.
Embora já tenha lançado diversos folhetos de cordel, Rena nutre um grande sonho: publicar um livro reunindo suas poesias, projeto que considera o ápice de sua caminhada artística e que vem alimentando com fé e perseverança.
O poeta descreve suas origens e o despertar da poesia por meio dos próprios versos, revelando com simplicidade e emoção como nasceu sua relação com a arte da palavra:
“No meu tempo de criança
Na escola iniciou,
Com 09 anos de idade
Minha professora mandou,
Declamar lendo uma poesia
E eu acho que nesse dia
Foi que tudo começou.
Toda festinha que tinha
Eu queria declamar,
Poesias de grandes mestres
Para na festa abafar,
Gostava do que eu lia
Fui decorando poesia
Pra melhor me apresentar.
Nunca que eu imaginei
Mas parece que era sina,
Em Princesa na escola
Uma mestra até que ensina,
Mas fui mesmo despertar
Quando saí pra estudar
Na cidade de Campina.
Lá conheci um amigo
Por nome de Ariano,
Que não era o Suassuna
Mas tinha verso em seu plano,
Na escola todos os dias
Íamos escrever poesias
Tirar dúvidas e enganos.
E ainda para alegrar
Deixando a história completa,
Abençoando minha sina
Iluminando minha reta,
Sendo inspiração latente
Campina como presente
Tinha um prefeito poeta.
Ronaldo Da Cunha Lima
Minha grande inspiração,
Depois que li sua poesia
Não me faltou incitação,
Mas hoje além do soneto
Do decassílabo ao terceto
Escrevo com empolgação.
O cordel sendo meu forte
Meu alento e incentivo,
Ele para minha alma
É alívio e lenitivo,
Da poesia é minha cara
Minha sina, minha tara
De viver, o meu motivo.
E depois de tudo isso
Eu descobri o pivô,
Além de Deus que ilumina
Eu tive outro vitrô,
Esse dom da poesia
Na minha veia viria
Vindo do meu bisavô.”
Poeta cordelista Rena Bezerra
Em seus versos e apresentações, Rena preserva a força da poesia popular nordestina, unindo emoção, memória e musicalidade. Seu trabalho mantém viva a tradição oral sertaneja, ao mesmo tempo em que reflete sobre a vida, a fé e o cotidiano com olhar sensível e humor poético.
Inspirado por grandes mestres, como Ronaldo Cunha Lima, e guiado pela herança poética de seu bisavô, Rena Bezerra segue levando a poesia para as praças, escolas e festivais, mantendo acesa a chama da cultura popular que o acompanha desde a infância.
Fonte: entrevista concedida a Sara Fortunato em 21 de outubro de 2025