Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Localização: Sumé – PB
Região: Cariri Ocidental paraibano
Unidade de relevo: contrafortes do Planalto da Borborema
Características: conjunto montanhoso com lajedos, elevações rochosas e áreas de vegetação de Caatinga
Importância: referência geográfica, ambiental, histórica e cultural de Sumé.
A Serra dos Sucurus é um conjunto montanhoso localizado no município de Sumé, no Cariri Ocidental da Paraíba. Integrada aos contrafortes do Planalto da Borborema, a formação se destaca na paisagem do município e acompanha parte da área próxima à zona urbana. A legislação municipal que delimita o perímetro urbano de Sumé utiliza o sopé da Serra dos Sucurus como referência para a definição de limites de bairros e do próprio perímetro da cidade.
A serra apresenta relevo marcado por elevações rochosas, lajedos e áreas de Caatinga, compondo uma paisagem característica do Cariri paraibano. O município de Sumé está inserido em uma região de relevo predominantemente suave e ondulado, interrompido por cristas, pontões e maciços residuais. Próxima à sede municipal, a Serra dos Sucurus constitui uma dessas referências naturais que ajudam a definir a paisagem e o horizonte da cidade.
A formação está também relacionada à rede hidrográfica local. No entorno da serra encontram-se cursos d’água e áreas de drenagem que integram a bacia do Rio Paraíba. O Rio Sucuru, um dos principais cursos d’água associados à história e à paisagem de Sumé, nasce na região dos Cariris Velhos, passa pelo município e posteriormente se junta aos rios da Serra e do Meio para formar o Rio Paraíba.
O nome Sucurus constitui uma das principais marcas da presença indígena na memória territorial de Sumé. Estudos históricos e antropológicos identificam os Sucurus como um grupo associado aos povos Tarairiú, que ocupavam áreas do interior nordestino antes e durante o processo de colonização. No Cariri paraibano, pesquisas apontam a presença dos Sucurus em uma área relacionada ao Rio Sucuru e às serras da região. O nome do grupo permaneceu em diferentes topônimos, entre eles o rio, a serra e outros lugares do município de Sumé.
A relação entre a serra e essa memória indígena aparece também em estudos sobre a história territorial do município. Pesquisadores registram que Sumé teve anteriormente a denominação São Tomé dos Sucurus e que diversos lugares da região preservaram referências aos Sucurus, como o Rio Sucuru, a Serra dos Sucurus, a Boa Vista dos Sucurus e o Poço do Sucuru. Esses topônimos constituem vestígios da presença indígena na formação histórica e cultural do Cariri paraibano.
A serra também integra a memória cultural contemporânea de Sumé. Em levantamento realizado pela Universidade Federal de Campina Grande, a formação aparece associada à paisagem, às lembranças dos habitantes e à história dos povos indígenas que ocuparam a região. O trabalho registra, inclusive, referências poéticas à serra e aos seus lajedos, evidenciando como o acidente geográfico permanece incorporado ao imaginário e à identidade local.
Além de sua importância histórica, a Serra dos Sucurus é utilizada como espaço de visitação e atividades de turismo de natureza. A Prefeitura de Sumé incluiu a formação em roteiros da Rota Cariri Cultural, destacando suas paisagens e a vista panorâmica sobre o município. A serra também aparece em programações esportivas e recreativas, incluindo atividades de subida e rapel.
A Serra dos Sucurus constitui, assim, um dos principais elementos naturais e culturais da paisagem de Sumé. Sua importância ultrapassa a dimensão geomorfológica: o conjunto montanhoso está relacionado à rede hidrográfica, à história da ocupação do Cariri e à permanência de topônimos associados aos povos indígenas que habitaram a região. Atualmente, a serra continua sendo uma referência territorial, paisagística e turística do município.
Fontes:
Sumé completa 72 anos de emancipação política
LEI COMPLEMENTAR Nº 0040/2021 | Câmara Municipal de Sumé
Sumé apresenta novos pontos turísticos naturais na Rota Cariri Cultural