Pesquisa e texto: Hitalo Vieira
Naturalidade: João Pessoa-PB
Atividade artístico-cultural: Rapper
Palco Mp3: SH Torres
Nascido e criado em João Pessoa, Sheyson Torres viveu parte da infância e adolescência no bairro do Cristo Redentor e, posteriormente, em Mangabeira, onde teve seus primeiros contatos com a cultura hip-hop. Nesse ambiente, conheceu skatistas, grafiteiros e MCs locais, aproximando-se das expressões urbanas e da música de periferia. Durante a juventude, integrou o grupo Reação da Periferia, um dos expoentes do rap paraibano no início dos anos 2000, o que marcou sua inserção na cena underground regional.
Em 2009, SH Torres sofreu um acidente que o deixou paraplégico e o obrigou a utilizar cadeira de rodas por quatro anos. O rapper reconhece que o hip-hop foi decisivo em seu processo de reabilitação emocional e física, transformando sua depressão em arte e expressão. Segundo o próprio artista, “no momento mais difícil da minha vida, a minha depressão foi transformada em música”.
Engajado em causas sociais, SH Torres fundou o coletivo Cordão de Prata Records, voltado para a promoção da cultura hip-hop nas periferias de João Pessoa. A iniciativa busca oferecer alternativas culturais a jovens de comunidades carentes, com ações que envolvem oficinas, apresentações e estruturação de eventos com equipamentos próprios, como pick-ups, microfones e amplificadores.
Para o rapper, “o hip-hop é uma ponte indireta do sistema para a periferia” e uma ferramenta de resistência e transformação social.
Em 2014, SH Torres lançou seu primeiro álbum solo, A Lei do Homem é Falha, gravado em Brasília e produzido por Kamika-Z, um dos nomes de destaque do rap nacional. O disco, composto por doze faixas, aborda temas de protesto, violência, corrupção e desigualdade social, reafirmando a postura crítica e consciente do artista.
O lançamento do álbum ocorreu durante o festival Amazônia Beats, em agosto de 2014, na capital federal.
SH Torres consolidou-se como uma das vozes mais autênticas do rap paraibano contemporâneo, representando a força do hip-hop como meio de resistência e inclusão. Sua trajetória reflete não apenas o talento musical, mas também o compromisso com a valorização da cultura periférica e o empoderamento da juventude negra e pobre por meio da arte.
Fontes: