Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos
Título: Sob o Mesmo Céu
Ano de Produção: 2025
País: Brasil
Estado: Paraíba
Gênero: Documentário / Cinema ensaístico
Direção e Roteiro: Ana Bárbara Ramos
Produção Executiva: Marcelina Moraes
Assistência de Direção: Júlia Pasmanik
Direção de Fotografia: Bruno de Sales
Som Direto: Guga S. Rocha
Produção: Bárbara Estúdio Criativo & Pigmento Cinematográfico
Financiamento: Lei Paulo Gustavo – Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba (Secult-PB)
Idioma: Português
Formato: Longa-metragem documental
Sinopse:
Sob o Mesmo Céu é um documentário ensaístico que nasce da ausência: a ausência de um filme perdido, de imagens que o tempo fragmentou e de memórias que resistem apenas em vestígios. A diretora parte da busca por rastros de Sob o Céu Nordestino, obra realizada pelo pioneiro do cinema paraibano Walfredo Rodriguez no final da década de 1920 — um filme do qual restam apenas fragmentos silenciosos. A partir desse ponto de partida histórico, o longa constrói uma investigação poética sobre o que permanece quando quase tudo parece ter desaparecido. O filme se desenvolve como uma expedição sensível pelo território paraibano, atravessando cidades e paisagens que dialogam com a memória do cinema e com as transformações do tempo. A jornada inclui municípios como Princesa Isabel, Maturéia e Monteiro, além de outros espaços simbólicos do interior do estado. Nessas travessias, a câmera observa o céu amplo do sertão, as montanhas, as ruas, as feiras, as casas e os rostos que compõem o presente — como se cada imagem pudesse dialogar com aquelas que um dia foram registradas e quase se perderam. Mais do que reconstituir um filme antigo, Sob o Mesmo Céu propõe uma cartografia afetiva da Paraíba. O documentário entrelaça depoimentos, reflexões e paisagens em uma narrativa que questiona o próprio ato de filmar: o que significa registrar um território? Como as imagens moldam nossa percepção da identidade? Que histórias permanecem invisíveis quando um arquivo desaparece? A obra opera como um palimpsesto audiovisual — sobrepondo tempos, memórias e camadas de significação. O passado não surge apenas como objeto de investigação histórica, mas como presença viva que ecoa no presente. As ruínas e silêncios do cinema pioneiro tornam-se matéria para uma criação contemporânea que reconhece a fragilidade dos registros e, ao mesmo tempo, a potência do gesto de filmar novamente. O céu, elemento central do título, funciona como metáfora e elo simbólico. É o mesmo céu que cobriu as filmagens do início do século XX e que hoje acompanha a nova equipe em sua jornada. Sob esse céu compartilhado, diferentes gerações se conectam — cineastas, personagens anônimos, espectadores — todos atravessados pelo desejo de contar e recontar histórias. Visualmente, o documentário valoriza a paisagem sertaneja em sua dimensão contemplativa, alternando planos amplos que revelam a vastidão do território com momentos íntimos que capturam detalhes e gestos cotidianos. A proposta estética dialoga com o cinema ensaio, privilegiando a reflexão e a experiência sensorial sobre a linearidade narrativa tradicional. Sob o Mesmo Céu é, portanto, um filme sobre memória, permanência e reinvenção. É também uma declaração de amor ao cinema e à Paraíba — um convite a olhar novamente para aquilo que parecia perdido e descobrir que, mesmo fragmentadas, as imagens continuam a nos reunir sob o mesmo horizonte.
Fontes:
https://jornaldaparaiba.com.br/qualaboa/sob-o-mesmo-ceu-documentario-gravacoes-paraiba