Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Ficção (curta-metragem)
Formato: 35 mm
Local: Sertão paraibano
Duração: 16 minutos
Ano de Produção e Exibição: 2003
Produção: Heleno Bernardo
Fotografia: Paulo Jacinto dos Reis
Roteiro: Marcelo Gomes
Som Direto: Pedro Moreira
Direção de Arte: Beto Norml
Empresa Produtora: Fita Gomada
Edição de Som: Virgínia Flores
Produção Executiva: Gisella de Mello e Heleno Bernardo
Montagem: Gisella de Mello
Sinopse
Tempo de Ira é um curta-metragem baseado no conto Cícera Candóia, do escritor pernambucano Ronaldo Correia de Brito. Realizado com patrocínio da Petrobras, o filme integra a chamada “trilogia da tragédia familiar”, conjunto de obras que abordam dramas humanos ambientados no sertão nordestino.
A narrativa acompanha Cícera Candóia, interpretada por Marcélia Cartaxo, que permanece no sertão paraibano cuidando da mãe enferma, vivida por Antonieta Noronha, duas décadas após um acontecimento trágico que desestruturou sua família. Em uma paisagem marcada pela seca e pelo isolamento, a personagem enfrenta um dilema entre permanecer ao lado da mãe e das poucas cabras que garantem sua sobrevivência ou partir em busca de uma nova vida ao lado do namorado Quinzinho, interpretado por Nanego Lira.
Ambientado no semiárido paraibano, com parte significativa das filmagens realizada no município de Cabaceiras, o filme retrata as consequências sociais da seca e dos processos migratórios que marcaram o Nordeste durante a década de 1970. A obra utiliza a experiência particular de uma família sertaneja para abordar temas como pertencimento, abandono, resistência e os laços afetivos que permanecem mesmo diante das adversidades impostas pelo ambiente e pelas circunstâncias da vida.
Reconhecimento crítico e premiações
A crítica destacou a sensibilidade da direção, a fotografia e as atuações do elenco. Em análise publicada à época, o crítico André de Sena apontou que o filme retoma questões recorrentes do cinema brasileiro ao representar um sertão marcado pela escassez, pela migração e pela luta cotidiana pela sobrevivência. Sem recorrer a soluções melodramáticas, a narrativa constrói um retrato intimista das relações familiares em meio à dureza da paisagem sertaneja.
Reconhecido em festivais nacionais, Tempo de Ira recebeu diversos prêmios, entre eles os de Melhor Filme e Melhor Roteiro no 7º Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba, além do prêmio de Melhor Direção no 26º Festival Guarnicê de Cinema, realizado em São Luís, consolidando-se como uma das produções paraibanas de maior destaque no circuito brasileiro de curtas-metragens do início dos anos 2000.
Fontes:
https://jornaldaparaiba.com.br/cultura/a-seca-do-tempo-de-ira
https://www.portacurtas.org.br/filme/?name=tempo_de_ira
Imagem: Porta Curtas