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Data de publicação do verbete: 30/10/2026

Trexy

Trexy

Natural de Santa Rita – PB e radicada em João Pessoa, a artista visual, curadora e pesquisadora Trexy articula artes visuais, performance, conservação de acervos e produção cultural independente em uma investigação centrada no corpo, na diversidade e nas identidades dissidentes. Com presença em salões e mostras no Brasil e no exterior, além de projetos marcantes na curadoria e na cena cultural independente pelo Coletivo Fuzz, sua trajetória alia rigor técnico, experimentação estética e fortalecimento da visibilidade artística na Paraíba.

Pesquisa, entrevista e texto: Sara Fortunato 

Naturalidade: Santa Rita-PB

Nascimento: 4 de maio de 1999

Atividades artístico-culturais: Produção Cultural, Artes Visuais e Arte de rua

Formação acadêmica: Bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Mestre em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Ceará (PPGArtes-UFC)

Instagram:  @trexydiaba

Trexy Caio Menezes de Oliveira é artista visual, curadora, produtora cultural, pesquisadora e técnica em acervos artísticos. Sua atuação abrange pintura, desenho, gravura, poesia, performance, fotoperformance e arte digital, além de atividades relacionadas à gestão, documentação e conservação de acervos. Iniciou sua trajetória artística em 2017 e atualmente reside em João Pessoa, Paraíba.

O interesse pelas artes visuais acompanha Trexy desde a infância e a adolescência, períodos em que o desenho e a pintura já faziam parte de seu cotidiano. Durante a graduação em Artes Visuais, o contato com a arte contemporânea ampliou suas possibilidades de criação e pensamento, levando-a a experimentar diferentes linguagens e a desenvolver uma investigação artística centrada no corpo, em suas transformações e nas relações entre identidade e sociedade.

Essa pesquisa ganhou novos contornos a partir de sua aproximação com a arte drag, inicialmente motivada pela experimentação estética da montação. O uso de maquiagens artificiais, perucas, camadas de tinta e elementos aplicados sobre a pele despertou seu interesse pelas possibilidades de transformação corporal, pelo estranho, pelo exagero e pelo absurdo. Embora posteriormente tenha se afastado da montação, essa experiência permaneceu como referência importante para sua produção. Sua condição de pessoa trans não binária também atravessa essa investigação, especialmente nos questionamentos sobre as normas de gênero, os padrões sociais e as formas de violência que moldam e limitam os corpos. Em seus trabalhos, o corpo é compreendido como múltiplo, maleável e não fixo, território de experiências, contradições, belezas e possibilidades de expressão.

Ao longo de sua trajetória, participou de exposições individuais e coletivas, performances, residências artísticas e eventos culturais na Paraíba, no Ceará, em outros estados brasileiros e no exterior. Entre suas exposições individuais, destacam-se Investigações de Si (2024), realizada no Hotel Globo, em João Pessoa, e Da Impermanência à Metamorfose (2026), apresentada no Espaço Expositivo Alice Vinagre, da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC). No cenário internacional, participou da exposição The Last Off-Site Show On The Earth At Plague Space and Everywhere (2023), em Krasnodar, na Rússia.

Nas exposições coletivas, destacam-se o XVII Salão Municipal de Artes Plásticas (SAMAP), realizado no Casarão 34, em João Pessoa (2024); a Mostra 8 de Maio, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza (2024); e o 76º Salão de Abril, no Instituto Cultural Iracema, também em Fortaleza (2025). Participou ainda de Impermanência da Paisagem(2024), na Galeria Capibaribe, em Recife; Gira Circuito Itinerante de Performances (2024), em Niterói; Entre Dois Rios(2023), no IAC Benfica, em Recife; Zona Abissal (2023), na Galeria Lavandeira; e Refluxos (2023), apresentada no Centro Cultural São Francisco e na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa. No campo da performance, destacam-se sua participação em Desova (2023), no Museu Casa de Cultura Hermano José, em João Pessoa, e em Risca Difunta (2024), durante o V Encontro Latino-Americano de Investigadores(as) sobre Corpos e Corporalidades nas Culturas, em Belo Horizonte, além da III Conferência Internacional de Estudos Queer (ConQueer), em Aracaju (2024).

Na curadoria, Trexy desenvolve projetos que articulam experimentação artística, diversidade e representatividade. Entre suas realizações estão Linhas Tortas (2024), na Galeria Lavandeira, exposição coletiva que reuniu artistas e uma equipe integralmente trans, constituindo um marco para a representatividade trans nas artes visuais da capital paraibana; Entre Fluxos e Sentidos (2025), no Espaço Expositivo Alice Vinagre, da FUNESC; Processos de Transmutação (2026), na Galeria Lavandeira, no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da UFPB; e Muriçocas do Miramar: 40 anos de arte e estandartes (2026), na Usina Cultural Energisa, mostra dedicada à trajetória artística e cultural de uma das manifestações carnavalescas mais emblemáticas de João Pessoa.

Paralelamente à produção artística e à curadoria, sua trajetória também é marcada pelo envolvimento com a produção cultural independente. Integra o Coletivo Fuzz, por meio do qual participa da elaboração, articulação e realização de iniciativas voltadas à valorização das culturas marginal, periférica e dissidente, especialmente aquelas relacionadas às comunidades LGBTQIAPN+ e negras. Entre os projetos desenvolvidos estão o 1º Festival de Cultura Marginal: Parahyba Transversal (2024), realizado no Espaço Cultural José Lins do Rego; Voz e Risco (2024), na General Store; o evento de música eletrônica BestaFera (2025); e o Circuito Ballroom Parahyba (2026), que envolveu espaços como a UFPB, o Espaço Cultural José Lins do Rego e o Parahybolica Cultural. Também participou da residência Movimento Arapuca (2021), no Conde, e da Residência Educativa e Artística de Si (2020), na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. Em 2024, foi selecionada entre os dez destaques da Expo Favela Paraíba e, em 2025, recebeu nota 4,7 de 5 na avaliação de impacto social do Coquetel Molotov Negócios Paraíba.

Outra dimensão importante de sua atuação está relacionada à gestão e à conservação de acervos artísticos. Possui experiência em salvaguarda, higienização, catalogação, inventariação e acondicionamento de coleções institucionais e documentais. Desenvolveu atividades junto à Pinacoteca da UFPB (2018–2020), ao Casarão 34 (2019), ao Núcleo de Arte Contemporânea (NAC), em 2021, e aos acervos vinculados à Pró-Reitoria de Extensão da UFPB (PROEX), incluindo a Sala Hermano José e o Museu Casa de Cultura Hermano José (2022–2023). Em 2026, também participou do inventário e acondicionamento do acervo do Beltrão Instituto de Arte (BIA). Suas obras Transfigurações Corpóreas (I) e Transfigurações Corpóreas (II) integram o acervo da Pinacoteca da UFPB.

Atualmente, desenvolve a série de desenhos Fúria, produzida com canetas acrílicas nas cores vermelha e preta, a partir da combinação de referências visuais coletadas ao longo dos anos. Também prepara o lançamento de uma série de reproduções impressas de obras que integraram a exposição Da Impermanência à Metamorfose. Em parceria com o Coletivo Fuzz, trabalha ainda na elaboração de novos projetos relacionados às culturas ballroom e hip-hop e ao fortalecimento da cena de música eletrônica underground paraibana.

Com uma trajetória que articula criação artística, pesquisa, curadoria, produção cultural e preservação da memória, Trexy desenvolve uma prática comprometida com a experimentação estética e com a valorização de expressões culturais plurais. Sua produção estabelece diálogos entre corpo, identidade, território e diversidade, ao mesmo tempo que contribui para a construção de espaços de visibilidade, participação e fortalecimento das redes culturais independentes da Paraíba.

Fontes: 

https://mapacultural.pb.gov.br/agente/4371/#info

Entrevista concedida a Sara Fortunato em 29 de outubro de 2026

 

 

 

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