Pesquisa e texto: Abraão Sena
Gênero: Peça teatral – tragédia
Ano: 1947
Autor: Ariano Suassuna
Ariano Suassuna publicou Uma Mulher Vestida de Sol em 1947, consolidando uma das primeiras experiências dramatúrgicas do autor voltadas à tragédia sertaneja. A obra dialoga diretamente com elementos do romanceiro popular nordestino, da literatura de cordel e da tradição oral do sertão, características que mais tarde se tornariam marcas centrais do Movimento Armorial, idealizado pelo escritor pernambucano.
A narrativa acompanha o amor impossível entre Rosa e Francisco, jovens pertencentes a famílias rivais no sertão nordestino. Em uma construção frequentemente comparada ao clássico Romeu e Julieta, de William Shakespeare, a peça utiliza o conflito entre clãs para discutir honra, violência, religiosidade e disputas por terra no Nordeste brasileiro. O ambiente árido do sertão surge não apenas como cenário, mas como força dramática que influencia o destino dos personagens.
O título da obra foi inspirado no capítulo 12 do Livro do Apocalipse, que menciona “uma mulher vestida de sol”, referência bíblica que reforça a dimensão simbólica e mística presente no texto de Suassuna. A peça combina elementos da tragédia clássica com a estética popular nordestina, aproximando o sagrado e o cotidiano sertanejo.
Em 1994, a obra ganhou adaptação para a televisão sob direção de Luiz Fernando Carvalho, exibida pela Rede Globo no programa Terça Nobre. A produção marcou a primeira adaptação televisiva de um texto de Suassuna e tornou-se referência pela proposta estética inovadora, distante do realismo tradicional da televisão brasileira da época. O telefilme apostou em forte teatralidade, fotografia simbólica e valorização da cultura popular nordestina.
Fonte:
Projeto “Uma Mulher Vestida de Sol” – Luiz Fernando Carvalho