Entrevista e texto: Larissa Félix
Naturalidade: João Pessoa – PB
Atividade artístico-cultural: cineasta
Instagram: @whothefuckiswilldossantos
Williams Danyel dos Santos, mais conhecido como Will dos Santos, é um cineasta paraibano. Viveu boa parte de sua vida em Santa Rita, e apesar de ser natural da capital João Pessoa, se considera um jovem santa-ritense.
Antes de se aventurar pelo audiovisual, Will dos Santos cursava Letras – Francês na Universidade Federal da Paraíba. Em 2022, decidiu reoptar o curso para Radialismo ao perceber que, para ele, o cinema nunca foi mero entretenimento, mas sim um campo de pesquisa, questionamento e experimentação estética. Desde o início, descreve sua relação com o audiovisual para além da técnica, ela é sobretudo reflexiva.
“A reopção não foi um retorno casual, mas uma decisão crítica diante da consciência de que é através das imagens e dos sons que posso dialogar com o mundo de forma mais potente.”
Em ordem cronológica, suas obras se encontram: A Incrível Viagem de Madu, Sem Título #1, Sem Título #2, Sem Título #3, Sabor de Quê, C’est une belle, Luís Carlos Vasconcelos Não Está Nesse Filme e, atualmente em desenvolvimento, À Brasileira e Sonho de Ícaro.
A Incrível Viagem de Madu foi o seu primeiro trabalho. Um curta-metragem com o objetivo de testar e ter seu primeiro contato formal com a sétima arte. Por muito tempo, o curta foi considerado por Will como uma “relação ambígua”, quase de rejeição: “Havia, para mim, um certo desconforto em confrontar aquele filme, como se ele expusesse as tensões de um criador ainda em formação, em conflito com suas próprias ideias e meios, um exercício às cegas.”, afirma o artista. Com o tempo, essa visão se transformou. Hoje, ele consegue encarar Madu com um certo distanciamento crítico e, ao mesmo tempo, com afeição. Ali estão os primeiros gestos de um cinema que viria a se afirmar mais tarde: a inquietação com o real, o desejo de fabulação, o diálogo entre forma e conteúdo que persegue.
Dentre seus projetos, Sabor de Quê se destaca. Um filme de horror e sangue, comédia, suspense, delírios e antropofagia. Seu único longa até o presente momento, é repleto de um carinho feroz, onde Will aprendeu a deixar o cinema sair do controle, aceitar seus tropeços como um método e o caos como estética “Eu não dirigi — fui dirigido por algo maior, um delírio coletivo, um bicho indomável feito de imagem, som, falha, excesso. Cada plano parecia engolir o anterior, como se o próprio filme se alimentasse de si e de nós mesmos”, revela.
Atualmente, Will dos Santos está trabalhando em dois novos curtas que desejam instaurar a dúvida, provocar o estranhamento e tensionar o próprio ato de ver. Segundo o próprio artista, o público deve esperar o inesperado.
Fonte:
Entrevista com Will dos Santos cedida a Larissa Félix em Junho de 2025.