Criado em 1986, o bloco foi o ponto inicial das prévias carnavalescas na cidade
Maria Beatriz Paulino

Um dos blocos mais conhecidos do Carnaval de João Pessoa, o Muriçocas do Miramar, completa 40 anos de trajetória em 2026 e celebra mais uma edição nas ruas da cidade. O bloco desfila nesta quarta-feira (11), com concentração a partir das 20h, no bairro do Miramar, seguindo pela Via Folia, na Avenida Epitácio Pessoa.
A agremiação foi criada em fevereiro de 1986 em comemoração ao aniversário de Thiago Gualberto, comemorado no dia 11, em João Pessoa. Após a festa, os familiares e amigos ainda animados, saíram pelas ruas próximas de casa fazendo festa, ao som de panelas e improvisos. O episódio revelou uma carência na cidade: a ausência de um Carnaval de rua organizado que reunisse a população de forma popular. Depois dessa experiência, os pais de Thiago, Vitória Lima e Antônio Gualberto, decidiram dar forma a ideia de criar um bloco e buscar apoio artístico para o projeto. Em conversa com Bob Zácara, perceberam a necessidade de um hino de identidade do bloco, o que levou à apresentação de Mestre Fuba. O mestre compôs a canção que é o hino oficial das Muriçocas até hoje.
O primeiro desfile aconteceu em 1987, com carro de som, hino gravado em fita pelo Mestre Fuba, e a estreia do estandarte, que é renovado a cada ano. Assim, o Muriçocas do Miramar consolidou-se como o marco inicial das prévias carnavalescas em João Pessoa, servindo de inspiração para muitos outros blocos a saírem às ruas.
“A gente não quer simplesmente fazer um carnaval com estrelas elétricas. Quando se pensa em um carnaval, para muita gente, a gente tenta misturar essa coisa da nossa cultura, das nossas tradições, junto com o frevo, as marchinhas”, relatou a diretora do bloco Muriçocas do Miramar, Thaís Gualberto.
Thaís que acompanhou o bloco de perto desde o primeiro ano, ainda bebê, conta que ainda hoje está descobrindo muitas histórias e riquezas do Muriçocas.
“O Muriçocas do Miramar para mim é emoção. Quando eu vejo a banda de frevo começando a tocar, quando eu vejo os estandartes se organizando para ir para a avenida, quando eu vejo as pessoas curtindo. Dançando felizes. Então, assim, é muita emoção que aflora”, conclui.