Larissa Félix*
Ativista e líder das ligas camponesas, Elizabeth Teixeira irá receber, nesta sexta-feira (18 de julho), o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A programação do evento terá início às 17h no auditório da Reitoria da Universidade e será conduzida pela reitora Terezinha Dominicano.
A solenidade é aberta ao público e contará com intervenções artísticas, como o Coral Nossa Voz e João Muniz, com canções que homenageiam os 100 anos de Elizabeth, que fez aniversário em fevereiro deste ano. A concessão da honraria foi proposta pelo Departamento de Ciências Sociais Aplicadas do Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias (CCHSA) por meio da pesquisadora Iranice Gonçalves Muniz, que estuda sobre a questão agrária. No dia 13 de maio, o Conselho Universitário (Consuni) aprovou a proposta. Além disso, um segundo pedido de concessão do mesmo título foi apresentado pelo Departamento de Educação do Campo, através do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero (NIPAM).

A universidade demonstra, através do título, o reconhecimento pela trajetória da líder camponesa, protagonista do filme “Cabra Marcado para Morrer” (1984), sob direção de Eduardo Coutinho, e também do livro “Eu marcharei a sua luta: a vida de Elizabeth Teixeira” (1997), escrito por três pesquisadoras da UFPB: Lourdes Maria Bandeira, Neide Miele e Rosa Maria Godoy.
Elizabeth foi perseguida por latifundiários e pela ditadura militar após o assassinato de seu marido, João Pedro Teixeira, em 1962. Ela foi presa e teve sua casa incendiada, separando toda sua família composta por 11 filhos. Precisou mudar de nome e viver clandestinamente. Aos 100 anos de idade, Elizabeth Teixeira continua sendo um ícone da luta pela reforma agrária e pela justiça no campo. Sua história é marcada pela coragem diante da violência e da opressão sofrida, e por uma resistência que atravessa gerações.
*Com UFPB