Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Nome científico: Spondias purpurea L.
Família: Anacardiaceae
Nomes populares: seriguela, ciriguela, ceriguela, ameixa-da-espanha Origem: América Tropical (América Central e Norte da América do Sul)
Ocorrência no Brasil: Nordeste, Norte e Sudeste
Ocorrência na Paraíba: Sertão, Cariri, Curimataú, Agreste e Zona da Mata
A seriguela é uma das frutas mais populares e amplamente consumidas no Nordeste brasileiro, possuindo forte presença na alimentação cotidiana e na economia informal da Paraíba. Adaptada ao clima semiárido, a serigueleira é uma árvore resistente, de fácil cultivo e grande produtividade, o que contribui para sua ampla disseminação em quintais, sítios, pequenas propriedades rurais e áreas urbanas do estado.
O fruto é pequeno, de casca lisa e coloração que varia do amarelo ao vermelho intenso quando maduro, com polpa suculenta, aromática e de sabor agridoce bastante característico. Na Paraíba, a seriguela é consumida principalmente in natura, mas também utilizada no preparo de sucos, picolés, sorvetes, doces, geleias e licores artesanais.
Na cultura alimentar paraibana, a seriguela ocupa um lugar de destaque, associada à infância, às brincadeiras de quintal e às vivências no interior. É comum a coleta direta da fruta nos pés durante o período de safra, que geralmente ocorre entre os meses de dezembro e março, dependendo das condições climáticas.
A seriguela está presente em feiras livres, mercados públicos e na venda informal às margens de estradas e em áreas urbanas, integrando práticas tradicionais de consumo e comercialização. Seu sabor marcante faz da fruta um elemento recorrente na memória afetiva da população, especialmente no Sertão e no Agreste paraibano.
Do ponto de vista econômico, a seriguela desempenha papel relevante na agricultura familiar e na economia de pequena escala. Sua comercialização, embora em grande parte informal, garante renda complementar a agricultores e vendedores durante o período de safra.
Além disso, a seriguela apresenta potencial para a agroindustrialização artesanal, com aproveitamento na produção de polpas congeladas, doces regionais e bebidas, agregando valor à fruta e fortalecendo cadeias produtivas locais. Em algumas regiões da Paraíba, iniciativas comunitárias e familiares já exploram esse potencial, ainda que de forma limitada.
A serigueleira é amplamente adaptada às condições climáticas da Paraíba, destacando-se pela resistência à seca e pela capacidade de produção mesmo em solos menos férteis. Por essa razão, é encontrada em praticamente todas as regiões do estado, com maior incidência no Sertão, Cariri e Curimataú, onde outras frutíferas apresentam maior dificuldade de desenvolvimento.
Além de seu valor alimentar e econômico, a serigueleira contribui para a biodiversidade local e para a manutenção de quintais produtivos, desempenhando papel importante na segurança alimentar e na sustentabilidade das comunidades rurais e periurbanas paraibanas.
Fontes
LORENZI, Harri et al. Frutas brasileiras e exóticas cultivadas. Nova Odessa: Instituto Plantarum.
SILVA, José Augusto da. Cultura alimentar e frutas nativas no Nordeste.
CAVALCANTI, N. B. Fruticultura no semiárido nordestino.