Evento consolida Boqueirão como referência literária no Cariri paraibano e reafirma a escrita como ato de resistência e memória
Sara Fortunato
A cidade de Boqueirão, no Cariri paraibano, se prepara para viver mais uma celebração da palavra. De 04 a 06 de dezembro, acontece a 15ª edição da Festa Literária de Boqueirão (FLIBO) , evento que há mais de uma década movimenta a cena cultural e educacional do interior da Paraíba.
Realizada pela Associação Boqueirãoense de Escritores (ABES), a FLIBO 2025 traz como tema “Escrever para Existir: vozes que brotam da vida e da memória” e homenageia a escritora Conceição Evaristo, uma das mais importantes vozes da literatura brasileira contemporânea.
Segundo a presidente da ABES e coordenadora do evento, Mirtes Sulpino, a inspiração para o tema nasceu da ideia de que “a escrita, por si só, é um ato de resistência. Quando escrevemos, afirmamos a nossa própria existência — e isso é muito poderoso, principalmente num país onde tantas vozes são silenciadas”.
Para Mirtes, a FLIBO sempre foi mais que um evento: é um movimento literário que nasce nas escolas, nas oficinas e nas rodas de conversa, e que se espalha pelas praças e espaços públicos da cidade.
“Usar a palavra como força de transformação e como forma de ocupar os espaços e construir memórias coletivas é a essência da FLIBO. Essa edição traduz todo esse sentimento de resistência e afirmação”, afirma.
Ao escolher Conceição Evaristo como homenageada, a organização reforça o compromisso da FLIBO com a literatura que dialoga com ancestralidade, luta e identidade. “Trazer Conceição Evaristo representa essa força da literatura que resiste. Sua escrita nasce das vivências do corpo, da ancestralidade e da luta — e dá voz a quem historicamente foi silenciado. Ter uma mulher como Conceição é reafirmar que a literatura é um território político, democrático e também afetivo”, explica a organizadora.
A escolha também celebra os 15 anos da FLIBO, consolidando o evento como um dos mais relevantes do interior da Paraíba, reconhecido pela sua capacidade de unir escolas, escritores, artistas e a comunidade em torno da leitura.


Programação e novidades
Os três dias de evento prometem uma programação intensa, com oficinas literárias, espetáculos de música, dança e teatro, contação de histórias e encontros formativos que evidenciam o poder da literatura de transformar realidades.
As atividades começam na quinta-feira (04), com ações nas escolas da rede pública e privada, e seguem com a programação cultural na Praça de Eventos de Boqueirão — novo local escolhido para esta edição.
“A FLIBO é um festival pioneiro que insiste em existir mesmo diante das dificuldades. A cada edição, levantamos a bandeira do livro, da leitura e da literatura como ferramentas de liberdade e inclusão. Escrever é existir e resistir, acima de tudo”, conclui Mirtes. Criada em 2010 a partir da mobilização da ABES — fundada pelas poetisas Jane Luiz Gomes, Magna Vanuza Araújo e Mirtes Waleska Sulpino —, a FLIBO transformou Boqueirão em um ponto de encontro entre leitores, autores e mediadores culturais, promovendo educação, arte e cidadania através da palavra.